Creatina e Cérebro: O que a literatura traz? 

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O cérebro, embora represente apenas cerca de 2% da massa corporal total, é um órgão extremamente energético, consumindo aproximadamente 20% da energia total em repouso. Os neurônios, por sua vez, requerem um suprimento constante de adenosina trifosfato (ATP) para diversos processos celulares, incluindo a manutenção de gradientes iônicos, exocitose de neurotransmissores e funcionamento sináptico. Agora, entenda de uma vez por todas a relação creatina e cérebro: o que a literatura traz? 

Nessa circunstância, faz sentido pensar na suplementação de creatina para períodos de aumento da demanda metabólica como, por exemplo, privação de sono, problemas de saúde mental ou doenças neurológicas, visto que trata-se de um composto orgânico nitrogenado derivado de reações envolvendo os aminoácidos arginina, glicina e metionina, importante para ressintetização de ATP. 

Através de uma reação reversível catalisada pela creatina quinase, a fosforilcreatina (PCr) se combina com o difosfato de adenosina (ADP) para ressintetizar o ATP. Nesse contexto, a PCr funciona como uma molécula de alta energia capaz de ressintetizar ATP de forma significativamente mais rápida quando comparada a fosforilação oxidativa e os processos glicolíticos.

Sendo assim, tem-se a grande maioria da creatina armazenada no organismo humano sendo sintetizada nos rins e no fígado, entretanto, sua síntese também pode se dar de forma endógena no cérebro ou através da sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e se acumular neste órgão. No entanto, é preciso considerar que a captação de creatina cerebral é limitada frente a outros tecidos como o músculo esquelético, em razão da baixa permeabilidade à passagem dessa substância, o que faz necessário que a ingestão total seja maior ou por período de tempo mais longo para produzir efeitos significativos na performance cognitiva. 

Creatina e cérebro

A importância dessa suplementação para a função cognitiva vem, principalmente, de um contexto no qual há indivíduos com síndrome de deficiência de creatina, conhecidas por esgotar os estoques cerebrais. Esta é caracterizada por distúrbios mentais e de desenvolvimento, como atrasos de aprendizado e convulsões, e esses sintomas são revertidos, pelo menos em parte, com a suplementação. 

Sendo assim, é possível encontrar na literatura estudos que demonstram melhorias na memória com a dosagem de 20 g/dia durante 7 dias, sendo que estes efeitos também é observado em indivíduos vegetarianos, garantindo a eficácia deste tipo de suplementação nessa população que, normalmente, apresentam baixos estoques de creatina por não se alimentar de carne. Embora existam poucos estudos, também é possível observar melhora da função cognitiva de indivíduos submetidos a privação de sono quando comparado com grupo placebo, visto que nestes a bioenergética cerebral se mostra alterada. 

Doenças Neurodegenerativas e Creatina

Sabe-se que a molécula de adenosina trifosfato (ATP) e creatina quinase (CK) são indispensáveis para obter-se a homeostase do sistema nervoso central (SNC), por isso, presume-se que aumentar o conteúdo de creatina cerebral seja potencialmente benéfico para diferentes condições clínicas, como doenças neurodegenerativas. Estas são comumente caracterizadas como condições que envolvem uma perda progressiva e irreversível da função neuronal, dificultando assim a capacidade de realizar tarefas cognitivas e/ou motoras. 

Dessa forma, segundo o entendimento dos possíveis efeitos da creatina na força, massa e funcionalidade muscular, cabe considerar a suplementação como uma terapia auxiliar a fim de minimizar as deficiências físicas relacionadas a doenças como esclerose lateral amiotrófica (ELA), distrofia muscular de Duchenne, doença de Huntington, esclerose múltipla e mal de Parkinson. 

Além disso, o estresse oxidativo, depleção de energia e dano mitocondrial são características comuns em doenças neurodegenerativas, nas quais a creatina pode intervir eliminando espécies reativas de oxigênio e aumentando a produção de energia.

Prática Clínica sobre creatina e cérebro

Por fim, fica estabelecido que a suplementação de creatina pode ter efeitos favoráveis ​​nas medidas de massa muscular esquelética e desempenho cognitivo. Sendo que, quando se pensa nas suas inúmeras aplicabilidades terapêuticas tem-se que sua prescrição é indispensável para qualquer público. Portanto, não deixe o paciente sair do seu consultório sem a indicação dessa suplementação extremamente benéfica ao homem.

Referências Bibliográficas

Sugestão de Leitura: Qual a relação entre nutrição e saúde mental?

Assista ao vídeo na plataforma Science Play – Suplementação de creatina: do músculo ao cérebro, do coração ao intestino, do esporte a saúde

Forbes SC, Cordingley DM, Cornish SM, Gualano B, Roschel H, Ostojic SM, Rawson ES, Roy BD, Prokopidis K, Giannos P, Candow DG. Effects of Creatine Supplementation on Brain Function and Health. Nutrients. 2022 Feb 22;14(5):921. doi: 10.3390/nu14050921. PMID: 35267907; PMCID: PMC8912287.

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