Obesidade Controlada: O que você precisa saber?

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A obesidade, considerada uma doença crônica e está associada a várias complicações que podem piorar outras condições, reduzindo a expectativa de vida. Frequentemente estigmatizada como uma “escolha de estilo de vida” e com tratamento baseado apenas em mudanças comportamentais. No entanto, a realidade é diferente, já que a obesidade está relacionada a altas taxas de falha no tratamento, mesmo após várias tentativas, cada vez mais drásticas ao longo da vida.

Uma nova abordagem com a “obesidade controlada”

As classificações comuns da obesidade usam o Índice de Massa Corporal (IMC), que se baseia na relação entre peso e altura. No entanto, essa métrica pode ser limitada para avaliar completamente a saúde de pacientes obesos. Surge então o conceito de “obesidade controlada”. Para abordar essa questão, a ABESO e a SBEM propuseram uma nova visão baseada na trajetória de peso ao longo da vida, oferecendo uma perspectiva mais abrangente da condição da obesidade.

“Obesidade controlada” refere-se ao estado em que uma pessoa permanece após perder peso a partir de seu maior peso alcançado. Isso implica uma redução percentual significativa do IMC e uma estagnação no emagrecimento. O critério-chave para determinar isso é o peso máximo que a pessoa já atingiu. Esta informação, muitas vezes ignorada, pode fornecer insights valiosos sobre a condição do paciente.

  1. “Doutor, eu cheguei a pesar 130 kg. Quando atingi a casa dos 100kg, não consegui perder mais nada e estou extremamente frustrada”.

Conceito de Obesidade Controlada

A variação de peso ao longo da vida de uma pessoa é uma realidade comum. Muitas pessoas passam por ciclos de ganho e perda de peso, e essa flutuação pode ter um impacto significativo em sua saúde metabólica. É por isso que os médicos que tratam a obesidade precisam perguntar sobre o peso máximo que o paciente já atingiu.

É crucial compreender que a obesidade controlada não significa que a pessoa esteja curada da obesidade. Pelo contrário, ela indica que a pessoa conseguiu reduzir seu peso a um nível considerado, deve-se sempre destacar que a obesidade é uma condição crônica. Mesmo quando uma pessoa alcança um peso normal, ela ainda enfrenta riscos para a saúde relacionados à obesidade, como a sarcopenia e o reganho de peso. 

Nova Proposta de Classificação da Obesidade

O estudo Proposal of an obesity classification based on weight history: an official document by the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society for the Study of Obesity and Metabolic Syndrome (ABESO), publicado em 28 de Abril de 2022, na Revista Archives of Endocrinology and Metabolism, explica que para indivíduos de 18 a 65 anos, com um IMC entre 30 e 39,9 kg/m², a proposta de classificação da obesidade com base na trajetória do peso é esclarecedora. Segundo o texto, perdas de peso que representem de 5% a 10% do valor mais alto já alcançado na vida indicam uma condição de “obesidade reduzida”. Em contrapartida, perdas de peso superiores a 10% apontam para uma “obesidade controlada”, o que está associado a uma redução significativa no risco para a saúde. 

No caso de indivíduos com um IMC igual ou maior do que 40 kg/m², os critérios se ajustam ligeiramente. Para ser considerada “obesidade reduzida”, a perda de peso precisa exceder 10% do peso mais alto. Já para alcançar a classificação de “obesidade controlada”, a perda deve ultrapassar 15% desse valor.

É importante ressaltar que a intenção da ABESO e da SBEM não é substituir as classificações anteriores, mas sim fornecer uma ferramenta adicional e complementar para a avaliação de pacientes com obesidade. Além disso, a proposta visa disseminar o conceito fundamental de que, ao avaliar a obesidade, é crucial questionar o peso máximo alcançado pelo indivíduo ao longo de sua vida. Essa informação é essencial para compreender a história do paciente e oferecer o tratamento mais adequado.

Sustentabilidade do Emagrecimento

A nova classificação coloca um foco maior na importância do emagrecimento sustentável, ou seja, na capacidade das pessoas de manterem o peso perdido a longo prazo. Isso reconhece que essa é muitas vezes a parte mais desafiadora do tratamento da obesidade e enfatiza a necessidade de estratégias que promovam uma saúde duradoura, em vez de simplesmente visar números na balança, que podem ser difíceis de manter e levar ao indesejável efeito sanfona.

Certamente, essa nova perspectiva sobre a obesidade vem para ajudar e oferecer uma compreensão mais completa da condição. Ela permite que os profissionais de saúde considerem a jornada do paciente no tratamento da obesidade. Ela também destaca a relevância de avaliar a história do paciente, promovendo uma abordagem completa e personalizada no tratamento da obesidade para entender qual momento da trajetória este paciente está. Assim, é possível intervir corretamente em carências nutricionais, dietéticas e ajustes medicamentosos. 

Percebe-se, então, que a obesidade controlada é um conceito vital para o tratamento da obesidade. A obesidade é uma condição crônica que requer atenção contínua. Mesmo quando o paciente reduz em peso considerado, entender a história do paciente, incluindo o peso máximo da vida, desempenha um papel essencial na avaliação e no tratamento da obesidade. 

Exceções no Histórico de Ganho de Peso

Por fim, há alguns casos especiais como gravidez e lactação. Certamente, espera-se que o ganho de peso ocorra durante a gravidez. Embora algumas mulheres ganhem mais peso do que o esperado, há uma luta para perder peso no pós-parto, porém o peso geralmente diminui naturalmente durante e após a lactação. O peso máximo alcançado na gravidez deve ser escrito com precisão no histórico médico do paciente, mas não deve ser usado para a classificação proposta. Por isso, o máximo peso atingido na vida deve considerar condições de não gravidez. Por outro lado, se o máximo peso atingido na vida foi alcançado no período pós-parto, o peso alcançado após o final da lactação deve ser considerado como o máximo peso atingido na vida.

Referências Bibliográficas

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Halpern B, Mancini MC, de Melo ME, et al. Proposal of an obesity classification based on weight history: an official document by the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society for the Study of Obesity and Metabolic Syndrome (ABESO). Arch Endocrinol Metab. 2022;66(2):139-151.

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